CINZAS E DIAMANTE

 

Direção – Andrzej Wajda

Roteiro  -  Andrzej Wajda e Jerzy Andrzejewski (autor do romance)

 

Sinopse

Filmado nos anos cinquenta, em pleno estalinismo, a ação do filme se passa no último dia da segunda guerra mundial. Na Polônia, a paz não se instala, pois a luta continua entre os comunistas e as milícias nacionalistas, até a derrota final destas.

Talvez como recurso de evitar a censura comunista, é um filme é barroco, apresentando belíssimas metáforas, a partir do título onde as cinzas representam a Polônia devastada pela guerra e o diamante a perspectiva do seu renascimento.

O Personagem principal é um militante anticomunista, magistralmente representado por Zibigniew Cybulski. Já na primeira cena o vemos tentando matar um chefe comunista, erra e mata dois inocentes. Em seguida parte para um hotel onde sabe que o seu alvo está hospedado, procurando uma oportunidade para matá-lo. Antes encontra uma belíssima garçonete, e os dois se apaixonam. Atormentado entre o compromisso político assumido e a forte paixão à primeira vista, tenta abandonar a luta, mas não consegue assumir a pele de desertor. Mata o chefe comunista e pouco depois morre, acidentalmente, nas mãos de uma patrulha.

O final narra de forma entrelaçada a morte do jovem idealista e o triste destino da Polônia, representado por mais uma alegoria, uma festa desafinada em honra à vitória dos comunistas, onde comparecem arrivistas e democratas desiludidos.

Cenas de um Roteiro Excepcional

Dias finais da Segunda Guerra, Polônia.

 

No Oeste invadida pelos Nazistas, no Leste pelos Comunistas. Os Nacionalistas organizaram o Exército de Libertação da Polônia (Exército Polaco) e promoveram sem êxito o Levante de Varsóvia.
 
Um país católico. Crianças desde cedo aprendem a externar sua devoção. Um contraste com a violência silenciosa de homens armados à espreita para cometer um atentado político.

A ação é rápida, mas o alvo estava errado. O roteiro do filme daqui em diante é essencialmente movido pelas consequências deste ato.

O novo dirigente Comunista tenta pacificar os operários indignados com as mortes. Palavras vazias, protocolares, sem novidades. Os poloneses vindos da Rússia que assumem posições de comando na política nada tem a dizer.

Os 3 agentes do "Exército Polaco" estão no mesmo hotel onde o Prefeito vai oferecer um banquete às novas autoridades.

 

A URSS invadiu o território, agora ocupa o espaço político. A Polônia é o seu Front Ocidental no pós-guerra.

Krystyna atende no bar, anexo ao salão do banquete. A trama romântica de Kyystyna com Maciek começa ao lado da trama política das novas autoridades pró-soviéticas.

O plano de eliminação do Secretário é mantido, apesar das dúvidas que incomodam a consciência do Major da Resistência (Exército Polaco) que estava encarregado da execução.

Krystina e Maciek continuam seu romance no quarto do hotel. Muitas dúvidas sobre se apaixonar em tempos de guerra.

Ou simplesmente, se apaixonar. Ponto.

Maciek procura uma bala de seu revólver no chão enquanto conversa amenidades com Krystyna.

Um romance sem rumo. A narrativa começa de modo perturbador, colocando a imagem de Krystyna de cabeça para baixo.

Maciek tem sua missão que não o deixa à vontade para começar um romance. Krystyna está atraída mas procura evitar a vertigem de uma paixão.

O passeio começa encontrando um grupo de soldados. Prossegue numa igreja bombardeada, onde Cristo aparece despedaçado. E, numa cripta, um poema de poeta polonês do século XIX, Norwid, é serve de descrição emblemática do pós-guerra.

Em tempos de Guerra, jovens envelhecem rápido. Quem comanda o interrogatório é a mesma autoridade militar que sentou-se ao lado do novo Secretário Comunista.

Descobrindo-se apaixonado Maciek entende como absurda sua tarefa de executar um assassinato político.